O som da tinta saindo das latas de spray se misturavam com as rimas dos MC’s, que acompanhavam a trilha sonora construída a partir dos skatistas, no quais rasgavam o piso de madeira do half com as rodinhas de seus skates. O duplo mortal, em uma finíssima fita elástica, do campeão latino-americano de slackline, inspirava palmas do espectador mais sedentário ali presente, incentivando-o a arriscar seus primeiros movimentos de liberdade corporal, e porque não dizer, espiritual? Simultaneamente uma banda, dentre várias, tocava no palco de um antigo galpão de máquinas industriais abandonado, em homenagem ao Rage Against The Machine com suas letras influentes e polemicas nascidas na década de 1990 da América do Norte.

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Praticantes de parkour em performance livre, faziam suspirar sentimentos de vertigem daqueles que os assistiam, impressionados com os saltos de uma estrutura para outra sob suas cabeças. Uma simbiose cultural. Era o direito à expressão, o direito à diversidade. Os sujeitos ali presente obedeciam à uma mensagem pichada sobre um pedaço de madeira. “Mova-se”, fazia alusão a emblemática frase: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”, da filosofa polonesa Rosa Luxemburgo.

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Deste modo, todos que estavam ali se movimentavam, se desprenderam das correntes conservadoras da cidade que os amarravam a uma lógica ordeira e disciplinadora. Nascendo, enfim, um hiato social no dia 12 de setembro na cidade de Blumenau.

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A Greenplace é um grito de desespero daqueles que clamam por espaços de sociabilidade para além do centro e acessível a qualquer classe social. Pilhas de alimentos, de roupas e de livros doados foram aos poucos se formando no hall de entrada como forma simbólica de ingresso, outro ponto necessário aos estabelecimentos da cidade que cobram preços absurdos, privilegiando o acesso aos mais privilegiados economicamente, elitizando os espaços.

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Conversas, risadas, feirinhas de artesanato e aplausos de novecentos quebradores de paradigmas presentes no dia faziam circular uma energia coletiva positiva em tempos de tanto preconceito, discriminação e ódio. Paradigmas sociais foram quebrados. O franzimento das testas dos mais velhos conservadores que passavam pela localidade, talvez seja a comprovação de que o projeto está no caminho certo.

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Pois transgredir é possível. Podemos tentar descrever a inauguração da Greenplace Park, complexo que abriga atividades esportivas ditas radicais, manifestações artísticas, ações sociais e amor, muito amor, em uma desordem cultural, onde cada citadino se expressava da sua maneira. Por fim, mas nem longe do fim, se você tem grandes sonhos e pequenas ambições, faça parte desse complexo que abrigar um mundo de possibilidades.

Por Gabriel Pierri